quarta-feira, 24 de setembro de 2014

PRO BRASILIA FIANT EXIMIA - "Pelo Brasil, façam-se grandes coisas!"

A importância da música e das manifestações artísticas durante os períodos de guerra nunca foi ignorada. Qualquer bom combatente - comandante ou soldado- sabe o valor de manter a moral elevada. Das tropas, do companheiro, de si mesmo.

A música tem sido produto e ferramenta de inspiração da humanidade desde o começo dos tempos. Tribos, pátrias, batalhas e deuses têm seus hinos e canções rituais. O ritmo é regra que foca, concentra, se espalha e contagia.

INFELIZMENTE o que temos por aí é um abuso desregrado, senão dizer um desperdício deste poder quase (?) sobrenatural. Uma tsunami de música ruim pra se ouvir com a bunda e executada pelos genitais anexos está colocando o Brasil na vanguarda do apocalipse zumbi. Isso tem que parar.

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O Sepultura rufou os tambores de guerra em 1996 com "Roots", no que eu acredito ter sido o primeiro álbum de "heavy metal tribal" que tenha atingido níveis de mainstream.


O álbum contou com a participação de uma tribo xavante (vai vendo!) na vinheta "Jásco" e na faixa subseqüente "Itsári".

"Ratamahatta" traz um approach mais popular com os vocais de Carlinhos Brown. Me chamem de maluca, mas eu sempre achei essa letra pura poesia, demonstração rasgada de como nosso português "tem açúcar", como disse o escritor Eça de Queirós. Quem nunca teve oportunidade de cantar isso junto durante uma performance ao vivo, está perdendo uma deliciosa experiência lingüística, digna de menção no Museu da Língua Portuguesa.



 Pouquíssimo tempo depois, o Angra lançou "Holy Land", àlbum conceitual que também trazia uma abordagem nacionalista, porém de um Brasil recém- (err..!)descoberto.
Arte de "Holy Land". (Imagem: bandaandrematos.com / Google )


Essa quase dicotomia entre o grito indígena tupiniquim e a revisita aos registros históricos talhados pela invasão européia, então já muito bem representados por estas duas grandes bandas, tem se inflamado com o clamor de um novo chamado patriótico vindo do heavy metal nacional.

O VoodooPriest, fenomenal banda de thrash metal liderada pelo "bugre**" Vitor Rodrigues, traz à cena o álbum "Mandu". Segundo o site oficial: 

"O disco é conceitual e conta a história verídica de Mandu Ladino, um índio que viveu no século 18 na região que é hoje o estado do Piauí. Um grande líder e herói, omitido dos livros de história do Brasil, Mandu reuniu diversas tribos e as liderou até à morte contra a invasão de suas terras e a aniquilação do povo indígena."

Cesar Covero (g), Renato De Luccas (g),Vitor Rodrigues (v), Bruno Pompeo (b) e Edu Nicolini (d) (Imagem: VoodoPriest.com / divulgação )

**"bugre", apesar de ser um termo usado pelos europeus de forma perjorativa para designar os nativos indígenas, aqui no texto está sendo usado de forma honrosa e carinhosamente, viu? :3


Já o Aclla, responsável por apresentar ao cenário músicos do cacife de Eloy Casagrande e Bruno Ladislau, equilibra peso e melodia para voltar com tudo em seu novo àlbum "Pindorama (É a Nossa Terra)". A marcante pegada clássica da banda, em combinação com elementos fortemente brasileiros, cria uma mistura que pode ser surpreendente (grifem o surpreendente, aqui, e me cobrem depois. :3 ) . Além disso, as letras em português têm tudo para grudar no ouvido da galera.

Brazilian Heavy Metal
Aclla is : Igor Busquets (g), Pedro Carvalho (b),Tato DeLuca(v), Attílio Negri (g), Victor Busquets (d) .
Conceitualmente, as faixas evocam o espírito do Pré-Descobrimento, mexendo com a memória primordial de um povo que habitava a "Terra das Palmeiras" - do tupi "Pindorama"; a terra sem males. Um paraíso, como descobriram os índios que chegaram ao litoral brasileiro antes da invasão e massacre.

Também merece destaque neste àlbum, a participação do legítimo espírito tupi da Arandu Arakuaa a incrível banda folk metal de Brasília que mescla ritmos nativos e regionais, momentos quase new age e arroubos de metal extremo. Pra quem não conhece, vale a pena conferir:


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E, se desde o começo do blog sempre rola uma brecha para falar da Armahda - ainda mais depois daquela resenha sem-noção do Sete de Setembro :3 - Como não mencioná-la agora, fazendo questão de destacar a transformação de "o projeto" (Armahda) para "a banda". Preste atenção no artigo: A Armahda. O mínimo que eu espero disso é que eles apontem seus encouraçados contra o lixo "cultural" que nossa nação vêm produzindo.

Armahda em seu show de estréia, abrindo para o Sabaton em Sampa no Sete de Setembro. A foto eu "roubei" do Coredump do querido Ronaldo Chavenco, porque eu estava sem um pingo de condição psicomotora pra fotografar qualquer coisa naquela noite.

Será demais esperar uma retomada de valores atualmente pouco exaltados vinda deste novo movimento do Metal Brasileiro? Deixará o nacionalismo de ser algo restrito ao underground e muitas vezes errôneamente confundido com ideologia "facista" ou posição política qualquer, limitado, quando muito, aos berros de porões hardcore, enquanto os nossos cabeludos batem cabeça para falar sobre dragões e mitos nórdicos de muitas consoantes?

Não. Minha terra tem heróis, além das palmeiras onde canta o sabiá. O que aconteceria se Gonçalves Dias fosse metaleiro? Como seria a Canção do Expedicionário, se Guilherme de Almeida tivesse uma banda ?

Pronto, tá explicado porque eu molhei os olhos e a calçola ao ouvir o Sabaton tocando "Smoking Snakes" no Sete de Setembro.(quanto "s"!). E com a Armahda abrindo a noite. Eu desejo de coração que todo mundo que estava lá tenha sentido o mesmo que eu senti naquele dia.

Pela música, pela história, contra o emburrecimento e a alienação promovidos pela mídia popular, eu proponho que o "sexo, drogas e rock n' roll" vire "Paixão, Cerveja e Heavy Metal". Paixão sexual e também pela boa música, pelos grandes ideais, por aquele sentimento que transforma fãs de Blind Guardian em um exército Tolkeniano, pronto para a batalha. Paixão que vira rodinha no mosh pit, que faz geral gritar, pular e cantar junto. Paixão de vestir camisa de banda muito mais que de time,e saber que aquilo SIM, representa o Brasil !!!

Talvez eu devesse usar "tesão", mas seria um termo meio vulgar demais pra traduzir o mesmo sentimento. A cerveja pode ser substitída por vinho, whisky, energético, àgua de coco, suco de cupuaçú, café ou qualquer outra bebida à escolha. O importante é brindar!

(Imagem: Google)




A primeira vez que eu senti essa promessa, foi ouvindo o "Rising Moangá" do Glory Opera. Sempre quis ouvir metal pra Iara. Desde então, nunca larguei mão dessa esperança, mesmo passando alguns anos um tanto afastada do metal. Tive o privilégio de ser recebida de volta justo neste momento, para ver os contos de fada da minha infãncia patriota. Saem os vestidos de princesa, entram as medalhas do meu avô.

 E, se a cobra fumou na Europa, eu quero ver a vaca tossir por aqui.

Tô esperando a música do Tiradentes :3.


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